10.500 Km pela América do sul em 25 dias em uma moto com 25 anos de uso
O sonho de rodar pela América do Sul, de cruzar a Cordilheira dos Andes de moto, de conhecer o salar de Uyuni (o deserto de sal a 3600m de altitude na Bolívia), o lago Titicaca, Machu Picchu no Peru.
Meu Teste Drive: Harley Davidson Fat Boy... Hasta la vista Baby!!!
Tive o prazer de desfrutar de um final de semana com uma Fat Boy na garagem... não há como não associar essa motocicleta ao filme Exterminador do Futuro 2 (Terminator 2 ) onde o Arnold Schwarzenegger pilota essa moto em cenas fantásticas
Cerol... A brincadeira mortal!
Incredulidade... talvez seja essa a melhor palavra para definir o que sentimos com as notícias veiculadas que a cada dia, temos mais e mais motociclistas vítimas do cerol em nossas cidades
quinta-feira, 14 de maio de 2015
21:13
Unknown
"Munay (Amor); Yankay (trabalho); Yachay (sabedoria). Que aprendamos com os rios, com as montanhas, com as árvores, com os animais. Que aprendamos a ver com os olhos da alma, nos comprometendo com o essencial. Que nossas vidas sejam repletas de abundância, reciprocidade, amor, trabalho e sabedoria." (Pensamento Inca)
Antes de decolar da pequena Urca com destino a Ollantaytambo, dei uma volta a pé pela pequena praça e tirei algumas fotos. Uma vila bem pobre com muitas senhoras de expressão cansada carregando seus filhos tipo em mochilas, ou nas esquinas vendendo frutas e legumes. Havia um movimento para embarque em vans e ônibus, e pela janela os vendedores tentavam convencer seus clientes a comprarem seus produtos.
Após a laguna Huracan, peguei uma estrada que era margeada pelo rio e pela linha de trem que vem de Cusco para Machu Picchu. À beira da estrada e nas margens do rio, a cultura de uma planta com flores roxas. Fui pilotando sem pressa, curtindo o visual ao longo daquela estrada boa. Apesar do sol, a temperatura era de 15º C e a altitude estava próxima aos 3.000 metros.
Passadas algumas vilas, com os tradicionais quebra-molas, comecei a observar pedras e galhos sobre a pista. Mais adiante, em outra vila, a estrada estava fechada com pedras e haviam pessoas sentadas nelas. Depois vim a descobrir que era o dia "del paro", um dia de manifestações, onde fecham as estradas na entradas e saídas de cada vila. Desliguei a moto e fui conversar. No sorriso e diplomacia, expliquei que era brasileiro, que estava viajando de moto por muitos quilômetros e que precisava chegar ao hotel em ollantaytambo para descansar. Após uma espécie de votação, me permitiram passar.
Mas a cada vila ficava mais difícil. Continuei usando a mesma estratégia e, com paciência e muita diplomacia. Numa outra vila, um senhor me pediu uma "contribución" voluntária para passar. Dei 2 soles e retiraram uma pedra por onde passei. Numa outra vila, vim passando devagar e gritaram "estranjero". Nem olhei pra trás.
Cheguei a uma das últimas vilas e havia uma fila de carros parados. De repente todos começaram a manobrar e fazer meia volta. Um dos carros passa por mim e o cara fala: "- vamos por otro camino." Virei a moto e passei a segui-los. Entramos em uma estrada vicinal de terra do outro lado do rio e andamos uns 10 km por ela. Acabamos saindo atrás da estação de trem de Ollantaytambo. Então atravessei com a moto uma ponte de pedestres, toda de madeira e cordas, sobre esse rio e cheguei à cidade... Foi tenso.
Ollantaytambo é ponto de partida e ou passagem obrigatória para quem vai a Machu Picchu. Só existem dois caminhos para a cidade inca, de trem ou trilha a pé com guia autorizado. Acho que são 5 dias de caminhada. De trem são 3 horas. Ollantaytambo é como se fosse a capital mundial dos mochileiros e aventureiros. O movimento de vans trazendo estrangeiros é intenso. Vi muitos americanos, ingleses, canadenses e franceses chegando em excursões.
A cidade de Ollantaytambo era uma cidade fortaleza para proteger o vale sagrado dos incas, com um complexo militar e religioso. Chama a atenção o templo del sol e os solos para guarda de alimentos construídos pelos incas nas montanhas (fotos).
O resto do dia de hoje e amanhã, a Capitão América ficará descansando nos jardins do hostal. Vou pegar um trem para Machu Picchu, a cidade sagrada dos Incas.
Fui dar uma volta pela cidade. Estava acontecendo uma festa religiosa e houve uma queima de fogos. Passei pela feira de artesanato e comi um delicioso "lomo a la moda". Fui dormir cedo, pois terei que chegar à estação amanhã às 05h40. O trem partirá às 06h10. Estou em um hostal a 200 metros da estação.
Que Deus continue nos protegendo. Obrigado a todos os amigos que me enviam mensagens de apoio e sucesso nessa aventura.
Todos os dias da aventura foram descritas em um diário que pode ser visto nos links abaixo:
Diários:
Vídeo:
quarta-feira, 13 de maio de 2015
20:05
Unknown
Após um bom café da manhã no hotel Cabaña Quinta (muito bom, mesmo), sai para fazer o SOAT, uma espécie de seguro obrigatório peruano, similar ao nosso DPVAT e obrigatório segundo me informaram na aduana peruana. Havia uma seguradora que fazia a apenas duas quadras do hotel e o processo é bem rápido. O valor é de US$35 para 30 dias.
Como fui a pé fazer o SOAT, pude observar melhor a cidade de Puerto Maldonado. O trânsito é basicamente 90% de motocicletas de baixa cilindrada e tuc-tucs. Parecem um enxame de abelhas em todas as direções. A maioria são moto taxistas. o interessante é que somente o piloto da moto é obrigado a usar capacete, o garupa não rs. Eles usam um capacete que parece aquele modelo nazista, que chamam de casco, e usam sem amarrar nem nada... Nas motos há de tudo, famílias inteiras com Pais e dois ou três crianças, grávidas com bebês de colo, mulheres sentadas de lado.
Vi uns modelos de moto inexistentes no Brasil e mais interessantes, como a Honda CBF 150 monoamortecida na traseira e a Yamaha R15.
Por curiosidade, perguntei o preço de um tuc-tuc Honda novo: 5.800 soles, o que dá mais ou menos 5.800 reais. Vi DT180, Bros, Tornado, mas a grande maioria é motos xing-ling mesmo.
Fiz o primeiro abastecimento no Peru. Eles chamam os postos de Grifo. Tirando alguns poucos com aparência melhor, no geral são somente a bomba de combustível e às vezes o chão é de terra. A gasolina é vendida em galões e não em litros, o preço é equivalente ao do Brasil, com um detalhe: não há adição dos 27% de álcool nem solventes (espero rs). Tem dois tipos de gasolina: 84 octanas e 90 octanas.
Decolei para um dia de grande desafio: cruzar a Cordilheira dos Andes, que em alguns pontos tem altitudes acima de 4.800 metros. Eu tinha uma Grande preocupação sobre como a moto se comportaria nessa atitude, com ar rarefeito. Na saída de Puerto Maldonado, o GPS programado para a cidade de Cusco ficou louco e me mandou para a direção errada. Rodei uns 10 km errados até perceber. Existem pouquíssimas placas indicativas, mas na base de quem tem boca vai a Roma, eu encontrei o rumo certo.
A estrada é pedagiada, mas motos não pagam pedágio (obaaa). A estrada continuava igual, muitas vilas bastante pobres e seus quebra-molas. Na altura da Sierra Santa Rosa ficou mais divertido, curvas bem legais de fazer numa estrada vazia com asfalto bom.
Próximo das 14 horas e antes de subir a cordilheira, vi um restaurante com aspecto bom e resolvi parar. Restaurante Costa Verde. Atendia também aos trabalhadores das obras da estrada, e vi algumas coisas da odebrechet lá. Comi um polo com papas fritas (filet de frango com batata frita) e tomei uma coca por 10 soles. Estava ótimo.
Foi assim até a estrada começar a acompanhar o leito de um rio, com grande volume de água, às vezes assoreado, às vezes corredeiras sobre pedras, num visual bem legal. Em grande parte a estrada corria espremida pelo rio e muralhas de pedra e matas. Os deslizamentos de pedra eram constantes e havia muita manutenção na estrada nesses pontos, alguns com pare e siga.
Em certos trechos da estrada, e foram muitos, haviam depressões na pista que eram propositais para que a água que descia da montanha corresse por cima da estrada. Tipo assim, você vem na estrada e de repente tem um pequeno córrego atravessando a pista. São perigosos porque a presença de lodo e água podem ter fazer cair.
A chuva começou a me acompanhar, o visual era fantástico, o rio corria por um vale é a estrada serpenteava entre o rio e as montanhas. Muitas vezes tinha vontade de parar e fotografar, mas havia um horário limite para subir/descer a cordilheira devido ao frio. Antes de começar a subida o GPS indicava a altitude em 250m.
Começou a subida da cordilheira com muitas curvas no formato de U, a temperatura ia caindo e a altitude subindo rápido: 1800m, 2300m, a moto continuava com funcionamento redondo e o visual era de tirar o fôlego, parecia um filme. Quedas de água de centenas de metros, pequenos rios com corredeiras e picos com neve. A partir dos 3.000m de altitude a moto começou a perder rendimento. Passei pela cidadezinha de Marcapata, que fica a 3.200m de altitude, pendurada nas montanhas da cordilheira. A subida era muito lenta, rodava a 40/50 km/h e vez por outra pegava um veículo lento e os pontos de ultrapassagem eram poucos.
Entrei numa forte neblina subindo bem rápido, mas quando olhava para cima, via o sol nas partes altas da montanha, enquanto fazia as curvas olhava para trás e via a estrada como um grande caracol descendo a cordilheira. Era de arrepiar.
Vi pela primeira vez um rebanho de lhamas. Eram tocadas por um cara pela estrada abaixo.
Acima dos 4.000m de altitude eu tinha dificuldade em andar a 40 km/h, isso com o motor a 6000 RPM. O frio era intenso e, apesar de estar muito bem preparado, com roupa térmica, segunda pele, jaqueta com proteções térmicas, balaclava segunda pele, luva segunda pele e por cima luvas de frio/chuva, as minhas mãos queimavam como se estivessem no fogo. Tinha dificuldade para acelerar. Que falta faz um aquecedor de manoplas rs.
Passei pelos pontos mais altos da cordilheira no lusco fusco, com as placas indicando 4.717m e 4.815m de altitude. Em certos pontos havia um vento intenso que aumentava a sensação de frio, mas minha roupa suportava bem. Nem
Parei para fotografar as placas, pois tinha medo da moto apagar e não pegar mais. A noite também se aproximava. Quando olhava para os lados, via as partes com neve que eu havia visto lá debaixo.
Parei para fotografar as placas, pois tinha medo da moto apagar e não pegar mais. A noite também se aproximava. Quando olhava para os lados, via as partes com neve que eu havia visto lá debaixo.
Comecei a descer. Ufaaaa. A descida era menos íngreme que a subida e as curvas eram mais abertas. Até que a altitude estabilizou em 3600m. Passei por algumas vilas e numa delas parei num grifo e abasteci. Estava muito frio ali também.
Com a chegada da noite, antecipei minha parada, e acabei aterrissando na pequena cidade de Urcos, em um hostal com quarto privativo e wi-fi (que não funcionou) por 35 soles. Fiquei sem contato, mas após muitos quilômetros rodados e frio intenso, foi como chegar num oásis.
Se valeu o dia? Eu atravessei a cordilheira dos Andes de moto, preciso falar mais? já valeu a viagem... Nunca mais esqueço o que vi... E tem muito mais por vir... Obrigado ao cara lá de cima.
Se valeu o dia? Eu atravessei a cordilheira dos Andes de moto, preciso falar mais? já valeu a viagem... Nunca mais esqueço o que vi... E tem muito mais por vir... Obrigado ao cara lá de cima.
Todos os dias da aventura foram descritas em um diário que pode ser visto nos links abaixo:
Diários:
Vídeo:
terça-feira, 12 de maio de 2015
20:04
Unknown
Após um dia sem rodar, aguardando a liberação da Capitão América da revisão, chegou a hora de partir. O café da manhã foi às 6 horas no hotel Gameleira em Rio Branco (muito bom Hotel).
Decolei sobre um céu negro e carregado. No dia anterior Rio Branco havia recebido 4 horas de chuvas intensas, com alagamentos e deslizamentos. Acelerei e consegui escapar da chuva que era iminente rumo ao noroeste. Buscava as últimas cidades do Brasil pra aqueles lados, Brasileia e Assis Brasil, sempre margeando a divisa com a Bolívia, numa estrada que alternava trechos bons por muitos quilômetros e poucos com buracos. Desenvolvi bem.
O relevo apresentava agora pequenos morros, o que resultava em algumas curvas na estrada, muito gado nas fazendas e algumas plantações de cana-de-açúcar na paisagem e, de vez em quando, um pouquinho da floresta amazônica.
Lembrei de dois casos que não contei anteriormente:
1 - quando estava em Rondônia vi as famosas "Cabriteiras", estradas vicinais de terra que ligam clandestinamente a BR-070 à Bolívia. São aproximadamente 90 km de distância e é por ali que se escoam os produtos dos furtos/roubos de veículos brasileiros que dão trocados por drogas.
2 - estava na balsa que faz a travessia dos carros, caminhões, motos, etc. pelo rio Madeira, entre Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC), quando chega um senhor perto e me fala: “- A placa da moto é de Belo Horizonte, mas você não veio com ela não, né? “ Respondi vim sim e se Deus quiser vou voltar também! Nisso ele vira pra esposa e fala, “- querida, ele veio de lá mesmo. “ ela: “- meu filho, me fala seu nome que vou rezar muito por você! “ Era um casal de contagem que veio visitar parentes em Nova Califórnia (AC), vieram de avião até um ponto e alugaram um carro. Muito simpáticos. E orações são sempre bem vindas.
Finalmente chegou a fronteira Brasil/Peru. Fiz a saída do país na Polícia Federal do lado Brasileiro, mas na hora de dar entrada no Peru foi aquele clichê de filme mexicano: primeiro a aparência do lugar era de uma rodoviária antiga, perdida em algum lugar esquecido pelo mundo. Quando faltava só a entrada da moto, fui direcionado pra um setor onde o policial Peruano assistia ao jogo Barcelona x Real Madrid. Por 5 min, digitava 1 tecla, ai voltava pro jogo. Só me restou começar a assistir ao jogo Também. Com o Neymar fazendo gol, falei... “- É Brasil, né? Tem que respeitar o futebol brasileiro.“ Não sei se foi isso, mas Depois disso, rapidinho ele me liberou.
Treta boliviana: Na estrada, ainda no Brasil, me deparei com três carretas de combustível, com placas da Bolívia, paradas numa subida, meio que na pista. Achei meio estranho, mas segui viagem. Uns 500 metros à frente, havia uma fiscalização móvel da receita estadual acreana. Com certeza estavam parados antes por isso. Que treta. Vou chutar que trazem gasolina boliviana (10 litros = 0,50 centavos de real e vendem ali no Acre).
Continuei viajando pela transoceânica, a famosa estrada do Pacífico, agora do lado Peruano, mas era uma estrada totalmente diferente, asfalto bom e bem sinalizada. Havia pouquíssimo trânsito, na maioria eram motos de baixa cilindrada e os tuc-tucs. Ela foi construída por um pool de empresas brasileiras lideradas pela Odebrechet (ué porque então do lado brasileiro tá ruim?).
O relevo era o mesmo, mas havia mais floresta preservada ao longo da estrada. Por causa disso, a temperatura era bem mais baixa. O perigo nesse trecho são os animais na pista. O gado pasta solto, sem cercas, e atravessam a estrada sem cerimonia. E os cães, que até dormem no meio da pista.
Entre a fronteira e a cidade de Puerto Maldonado passei por umas 20 vilas à beira da estrada. São vilas pobres com crianças soltas pela rodovia e muitos cães, protegidos apenas pelos quebra-molas. Uma dessas vilas se chamava Belo Horizonte Rs.
Faltando 40 km para chegar, caiu uma chuva na estrada pra esfriar um pouquinho, mas cheguei tranquilo em Puerto Maldonado. Na cidade, um trânsito maluco com centenas de motos de baixa cilindrada e tuc-tucs andando pelas ruas como um enxame de abelhas.
O jantar no hotel foi muito bom. Lomo a la cabaña. A cerca deles também é boa Rs.
A moeda aqui e o Novo Sol, que chamam de Soles, a cotação é 1 pra 1 com o real.
Foi um dia tranquilo, com o visual maravilhoso da Amazônia Peruana me acompanhando até aqui. Que Deus continue me abençoando e protegendo.
- Todos os dias da aventura foram descritas em um diário que pode ser visto nos links abaixo:Diários:Vídeo:
segunda-feira, 11 de maio de 2015
20:01
Unknown
Dia de manutenção e cuidados com a Capitão América antes de prosseguir a aventura. Troca de Óleo, uma seta com lâmpada queimada e o aro traseiro quadrado, resultado das crateras lunares de ontem à noite (imagina se fosse de Hayabusa Rs).
Fui bem recebido e a moto está recebendo atenção especial na concessionária Honda Star Motos, aqui de Rio Branco (AC).
Todos os dias da aventura foram descritas em um diário que pode ser visto nos links abaixo:
Diários:
Vídeo:
domingo, 10 de maio de 2015
19:56
Unknown
Rumo ao norte, o dia prometia ser um dos mais punks da viagem e com certeza se superou. Primeiro por conta da distância e segundo pela condição das estradas. Saindo de Ji-Parana (RO) são 30 km até a cidade de Ouro Preto do Oeste (RO), um trecho bastante perigoso e com muitos bi-trens. Após isso, a partir de Ariquemes, muito tranquilo numa estrada boa de andar até Porto Velho (RO).
Passei por rios que pareciam mar, vi casas em palafitas sobre os rios, e também alguns balneários em braços dos rios que, no domingo à tarde e com calor, estavam cheios. A paisagem era dominada por fazendas de gado. Passei por uma unidade da JBL (uma unidade de confinamento). Também começam a aparecer pequenas propriedades rurais.
Após Porto Velho, a brincadeira começou a ficar mais séria, estrada com trechos muito ruins. Era uma preocupação grande, pois havia à necessidade de pilotar a noite.
Causo: parei a moto para fotografar um alagado ao lado da estrada, tirei a luva da mão direita, fotografei, montei na moto e sai. Uns 25 km depois comecei a perceber um vento na mão direita. Putz, aí que me dei conta que a luva que estava sobre a bagagem deve ter caído logo que sai. Para tentar recuperá-la teria que voltar 25 km e depois os 25 km de novo. Acabei desistindo da luva, que fez sua última viagem, já desgastada. Promovi a luva de chuvas a titular nessa viagem.
Numa outra parada, novamente para fotos, achei um par de óculos escuros daqueles de plástico xing-ling. Se foi algum tipo de compensação eu quero a minha luva de volta Rs.
Anoiteceu na estrada e com ela uma chuva torrencial. Parei a moto no meio do nada, com floresta dos dois lados. Os raios iluminavam o céu todo. Ai pensei: pelo horário podia estar em casa vendo TV. Faustão. Conclui que era melhor estar na estrada, na floresta amazônica. Debaixo de chuva, cheguei na balsa que faz a travessia do rio madeira (em 10 minutos).
Após a balsa partir, a chuva diminuiu a intensidade e quando atracamos fui o primeiro a sair e, mesmo à noite, com pista molhada, desenvolvia bem a velocidade.
Faltando 140 km para a divisa entre Rondônia e Acre, a estrada deu lugar a crateras lunares, mas de uma forma bem perigosa. Você tinha trechos de estrada boa e do nada surgiam verdadeiras panelas em vários pontos da estrada. Mesmo com toda cautela e com faróis que iluminavam uns 150 metros à frente, acertei pelo menos duas dessas panelas, sem nenhum dano, mas tomei um grande susto pois os buracos eram bem largos e fundos. Imaginei que um pneu de perfil baixo e/ou rodas de liga não sobreviveriam àqueles dois impactos.
No final das contas cheguei a Rio Branco no Acre às 00h15 (o fuso aqui é 2 horas a menos que Minas). E cheguei inteiro, após 14 horas na estrada. Ufa
Uma curiosidade: observei que após mais de 3.000 km rodados e passando por muitas cidades pequenas, não vi ainda ninguém andando a cavalo. Definitivamente foram substituídos por motos, a maioria Biz, CG e algumas cinquentinhas xing ling.
Inclusão digital: Incrível, mas todo posto aqui tem wi-fi liberada, desde o Mato Grosso, Rondônia e Acre. Parei em alguns que o chão era de terra e a internet de boa qualidade. Até as lanchonetes de beira de estrada, bem simples, investiram nisso para atrair os clientes.
Foi muito cansativo o dia, mas é claro que valeu demais. Com isso encerro a primeira fase da viagem que foi de BH a Rio Branco no Acre.
Todos os dias da aventura foram descritas em um diário que pode ser visto nos links abaixo:
Diários:
Vídeo:
sábado, 9 de maio de 2015
19:51
Unknown
Decolei rumo ao norte/noroeste. Mais um dia perfeito para pilotar, com temperatura agradável, pouco trânsito e estrada boa. Segundo o escritor Romulo Provetti, “- o homem que sai numa viagem de moto volta outro homem.“
Refletindo sobre isso na estrada, acabei por concordar. Você volta melhor. Numa viagem solitária de moto, chega determinado momento que você está ali, pilotando quase de forma automática, e na cabeça está passando um verdadeiro filme. Você trás à tona centenas de lembrança, alegres ou tristes. Lembra de músicas, cheiros e situações pelas quais passou, você vai ligando aquilo e de alguma forma reprocessa tudo como uma forma de superação. E de fazer melhor, se sair melhor numa próxima viagem. Uma viagem solitária de moto é na verdade uma viagem ao seu interior.
A paisagem que antes era dominada por extensas plantações, deu lugar a pastos com gado e fazendas particulares. O relevo também mudou, com alguns morros lembrando as paisagens de Minas.
80 km após Pontes e Lacerda (MT) avistei duas serras, uma de cada lado da estrada, que formavam um paredão e acompanhavam a estrada por vários quilômetros. Após isso, passei por alguns trechos de mata nativa. A mata abraçava a estrada, formando um visual muito legal. Incrível como a temperatura muda quando você entra nessa vegetação. Isso nos dá a certeza que as mudanças de clima que observamos são resultado principalmente dos desmatamentos.
Em certos trechos da estrada, comecei a observar que havia buracos, quer dizer, panelas, sempre do lado direito da estrada. Fiquei pensando porque aqueles buracos na mesma posição do asfalto. Até que matei a charada: eram as copas das árvores que avançavam sobre a estrada e ali faziam suas goteiras. Algum tipo de reação da floresta ante à devastação rs.
Quando faltavam 10 km para a cidade de Pimenta Bueno (RO), a estrada desapareceu, dando lugar a um tapete de crateras lunares. Os bi-trens, que eram maioria, bailavam de um lado para o outro da estrada, escolhendo os buracos menores. Cheguei a ver molas e borrachas de suspensão pelo chão, provavelmente dos caminhões que, pesados, sofriam muito nesse trecho.
Nesse trecho passei por uma placa de sinalização com o desenho de um homem com uma pá e logo abaixo a legenda "homens trabalhando". Logo pensei e comecei a rir sozinho. Então é esse FDP que está cavando esses buracos cm a pá...
Como tudo para o marketing é uma oportunidade de negócio, logo após os 10 km de crateras, tínhamos a borracharia do Negrinho, que estava cheia, e 100 metros depois uma grande loja de molas para caminhões.
Chegando próximo da divisa do Mato Grosso com Rondônia, me deparei com o restaurante "Rancho do Sucuri". Logo pensei: um sinal divino pra almoçar Rs... Muito legal o lugar. Deixei a nossa marca e ainda trouxe uma pequena lembrança da cachaça Sucuri, produzida lá.
Algumas informações técnicas do vôo: a Capitão América está com um consumo médio de 20 km/l... Autonomia de 500 km. A moto continua perfeita, dentro de suas limitações, e o peso da bagagem e tanque auxiliar tem deixado por vezes a frente com aquele shimy, nada que uma pilotagem tranquila não resolva.
Já no lusco fusco, cheguei a Ji Paraná (RO) e encerrei a estrada de hoje. Amanhã tem mais. Força e fé.
Todos os dias da aventura foram descritas em um diário que pode ser visto nos links abaixo:
Diários:
Vídeo:
Assinar:
Postagens (Atom)
RSS Feed
Twitter


























