10.500 Km pela América do sul em 25 dias em uma moto com 25 anos de uso
O sonho de rodar pela América do Sul, de cruzar a Cordilheira dos Andes de moto, de conhecer o salar de Uyuni (o deserto de sal a 3600m de altitude na Bolívia), o lago Titicaca, Machu Picchu no Peru.
Meu Teste Drive: Harley Davidson Fat Boy... Hasta la vista Baby!!!
Tive o prazer de desfrutar de um final de semana com uma Fat Boy na garagem... não há como não associar essa motocicleta ao filme Exterminador do Futuro 2 (Terminator 2 ) onde o Arnold Schwarzenegger pilota essa moto em cenas fantásticas
Cerol... A brincadeira mortal!
Incredulidade... talvez seja essa a melhor palavra para definir o que sentimos com as notícias veiculadas que a cada dia, temos mais e mais motociclistas vítimas do cerol em nossas cidades
terça-feira, 19 de maio de 2015
21:59
Unknown
Conforme planejado, acordei bem cedo, fiz checkout, montei a bagagem na moto e só então vi que tinha um carro me fechando na cochera (garagem) do hotel. Pedi para manobrar e fui tomar café. Voltei do café e o carro ainda estava lá. Era de um senhor Argentino, hospedado no hotel e que ainda estava dormindo. Com isso, só consegui partir de La Paz às 7h30. A temperatura estava em 8ºC.
Seguindo a rota traçada pelo GPS, fui saindo da região central de La Paz e comecei a subir uns morros, passando pelo que chamaríamos aqui no Brasil de "comunidades". A brincadeira ficou séria Quando as ruas passaram a ser estreitas e de terra, e eu só pensando onde esse GPS maluco estava me levando. As ruas eram muitos íngremes e faziam curvas em U. Mas como por milagre, saí numa via expressa e depois na estrada rumo a Potosí.
Logo no início da estrada, parei em uma estación de servicio (posto de gasolina, na Bolívia) e ai pude comprovar que não é mito o que falam sobre os postos aqui. Quando parei, a frentista veio me falar que a venda de gasolina para estrangeiros têm uma taxação especial e que eles tinham que emitir uma nota fiscal de venda própria. Me pediu até o passaporte. E mais, o valor do litro da gasolina, que aqui custa 3,74 bolivianos, para estrangeiros são 9 bolivianos o litro. Fazer o que? Completei o tanque da moto e depois tive que provar para a frentista que o tanque auxiliar não era um galão e estava ligado à moto, pois eles não colocam gasolina em galão para estrangeiros. No segundo abastecimento, o frentista veio e abasteceu os dois tanques sem questionar nada, mas em cada posto tem um policial de vigia. Na hora de pagar, o policial, educadamente, avisou ao frentista que era "venda de gasolina pra estrangeiro". Perguntou se eu estava ciente, respondi que estava ok.
A estrada saindo de La Paz é duplicada, pedagiada (moto não paga) e com asfalto em ótimas condições até a cidade de Oruro. São retas intermináveis.
A paisagem é formada por enormes vales com vegetação baixa verde amarelada e cercada por cadeias de montanhas amarronzadas. A temperatura ambiente era de 5 graus, mas com o vento, que era forte, a sensação térmica era perto de zero. Nesse trecho também observei casas que pareciam aquelas que vemos em filmes de idade média, construídas com tijolos de barro marrom bem escuro com teto de capim/palha, e com cercados de pedras bem baixos.
Passar pela cidade de Oruro não foi tarefa fácil. O trevo está em obras e tive que andar na terra fofa e dar uma bela volta para pegar a pista na direção de Potosí. A partir daí peguei uma estrada com pista simples, um longo trecho de serra e ótimas curvas, onde eu e a capitão América nos divertimos bastante. O visual também era lindo e haviam muitas ovelhas e lhamas à beira da estrada.
Passaram por mim nesse trecho cerca de 7 motos big trails BMWs e KTMs. Não sei se eram brasileiros, somente nos cumprimentamos, pois estávamos em sentidos opostos.
Ao me aproximar de Potosí, a vegetação foi ficando mais árida. Vi alguns cactos bem grandes, estilo filme americano de faroeste. Em alguns pontos, vi também largas faixas brancas acompanhando as laterais da estrada. Não parei pra ver se era gelo ou sal.
A cerca de 45 km de Potosí, parei pra almoçar numa vila bem pequena, em um restaurante muito simples. Foi um Ótimo almoço, muito barato, e onde fui muito bem tratado. Gente simples, de uma região bem pobre e extremamente educadas.
Potosi é uma cidade ao sul da Bolívia com cerca de 200 mil habitantes. Está a quase 4.000 metros de altitude, sendo uma das cidades mais altas do mundo. Ficou em evidência, quando em 2014 o Rali Dakar teve uma de suas etapas passando por aqui. Na chegada à cidade, vi placas e adesivos do Rali em postos e carros.
Já dentro da cidade, peguei um congestionamento e nele seguia uma BMW GS 1200 com placa européia. Aquele estava andando mais longe que eu (risos).
Potosi é ponto de partida para o maior deserto de sal do mundo, o Salar de Uyuni. Tem um monumento do Dakar lá... Adivinham pra onde eu estou indo?
Todos os dias da aventura foram descritas em um diário que pode ser visto nos links abaixo:
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segunda-feira, 18 de maio de 2015
21:48
Unknown
Foi um dia de descanso e passeios pela cidade de La Paz, após mais de 5 mil km (5.618 km) rodados de moto. Precisava de um dia de descanso, afinal de contas, são minhas férias.
A cidade de La Paz tem 2 milhões de habitantes. O fuso horário é 1 hora a menos que o Brasil. Hoje, a temperatura pela manhã estava em 13 graus. No almoço, 28 graus e agora à noite 15 graus. A moeda é o boliviano. 1 real vale 2,31 bolivianos.
Acordei mais tarde, tomei um café simples no hotel, curti preguiça e, mais tarde, sai para almoçar um lomo a La café ciudad. Dei umas voltas perto do hotel, para observar o trânsito maluco e a aglomeração de pessoas. Havia uma praça próxima ao hotel com um universidade e onde estava acontecendo um festival cultural. Também haviam nessa praça muitas barraquinhas vendendo de tudo.
Vi crianças indo para a escola uniformizadas com gravatas, pessoas andando com seus celulares nas mãos, o corre-corre de uma grande cidade, muitos policiais e militares. Não vi pichações ou depredações. Dizem que existem áreas perigosas em La Paz, mas a região central é tranquila.
A maioria dos carros nas ruas são vans e táxis antigos, a maioria carros japoneses (Toyota, Suzuki e Mitsubishi). É engraçada a divisão dos carros particulares: ou é uma camionete ou SUV top ou carro antigo detonado. Não tem meio termo. Há também fãs de velozes e furiosos com antigos carros japoneses esportivos. Pouquíssimas motos. Também, com esse trânsito e frio (risos).
Fui a uma Concessionária Yamaha por curiosidade, onde se vendiam veículos Toyota 0 km e motos Yamaha 0 km, alguns modelos diferentes do Brasil e a mini esportiva Yamaha R15 (150cc) por US$5.200.
De volta ao hotel, um bom cochilo (afinal, são férias rs), e lá pelas 17 horas sai para um passeio muito legal pelos teleféricos de La Paz. Por ser uma cidade localizada num vale cercado pelas cordilheiras dos Andes, o teleférico foi uma opção de transporte rápido ligando em linha reta e por cima as extremidades da cidade.
Uma caminhada de 20 minutos do hotel e peguei o teleférico na estação da calle Ecuador, plaza españa, para as linhas amarela e verde, é muito silencioso e parece que você está flutuando sobre a cidade. No horário que fiz o passeio, fui ao entardecer e retornei à noite tive uma bela visão da cidade
.
É um passeio imperdível para quem vier a La Paz, as estações são modernas, tem funcionários educados e atenciosos, cada passagem para uma linha custa 3 bolivianos.
Fusca Azul Boliviano, meu amor (risos). Uma coca-cola KS custa 3 bolivianos.
Descansar, pois amanhã a estrada será longa.
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domingo, 17 de maio de 2015
21:38
Unknown
"Kamizarake, ualaki" (algo como: bom dia, estou bem, na língua dos Uros).
Acordei cedo para um bom café, uma olhada na Capitão América, a troca da lâmpada de farolete e conferência do óleo. Tudo ok. Às 9 horas a agência veio ao hotel me buscar para o tour até as ilhas de Uros, que fica no lago Titicaca. O passeio foi em uma van com holandeses, canadenses, colombianos e peruanos. Seguimos até o porto, onde tomamos um barco pequeno com capacidade para 20 pessoas.
O nome Titicaca significa pedra de puma. Ele tem 8.560 km2, de 200 a 300 metros na parte mais profunda e chega a ter 160 km de largura. É o lago navegável mais alto do mundo. Era usado como meio de transporte entre Peru e Bolívia, mas após a construção das "carreteras" (estradas), a navegação comercial foi muito reduzida. O lago é muito lindo, parece um mar sem ondas.
Partindo da baía de Puno, o barco leva cerca de 30 minutos para chegar ao conjunto de ilhas dos Uros. Lá você é recepcionado pelas famílias que moram na ilha que você irá visitar. Todos são convidados a sentar e o guia, apoiado pelos Uros, fala da construção das ilhas e como eles vivem ali. Depois, cada família convida 3 pessoas para entrarem em sua casa e ai falam um pouquinho mais sobre a sua forma de vida.
Existem Uros que vivem mais isolados, em ilhas mais distantes e não recebem turistas, mas esses que visitamos fazem uma grande festa.
Parti para a Bolívia às 13 horas. Por cerca de 150 km a estrada margeia o lago Titicaca (para ter noção do tamanho desse lago). A paisagem era surreal, o lago com água na cor azul turquesa e ao longe cadeias de montanhas cobertas com neve.
Os trâmites na fronteira foram demorados, com muita gente, mas correu tudo bem. A imigração e a aduana dessa fronteira entre o Peru e a Bolívia fazem lembrar os arredores do Shopping Oiapoque em BH, um shopping popular no centro da cidade. (risos).
Poucos quilômetros após a fronteira, um posto policial para todos os veículos para registro. Ele fez o registro rápido e me devolveu meus documentos. Quando perguntei se estava tudo ok ele se preparou para falar algo e travou na hora que viu a câmera GoPro no capacete. Me desejou "feliz viaje" (Risos).
Entrei na Bolívia sendo recebido por um pôr do sol maravilhoso sobre o lago Titicaca. A estrada era boa, mas tinha alguns remendos. Passei por uma série de curvas subindo uma montanha. O GPS indicava altitudes acima de 4.000 metros e estava muito frio. A sensação térmica era de zero grau.
Cheguei a Nuestra Señora de La Paz às 20 horas. A cidade tem cerca de 2 milhões de habitantes e está a 3800 metros de altitude. Apesar da sede do governo ficar na cidade, não é a capital daquele país como muitos pensam. A capital constitucional da Bolívia é Sucre.
Encontrei um trânsito maluco, com milhares de vans, buzinação, congestionamento, obras e avenidas tomadas de terra. Cheguei ao hotel 2 horas após ter chegado à cidade.
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sábado, 16 de maio de 2015
21:33
Unknown
Parti de ollaytamtambo ainda com as imagens da Cidade Sagrada dos Incas na cabeça. Nunca mais vou esquecer Machu Pichu, onde passei umas seis horas. Um lugar mágico, místico e com uma energia que mexe com você. Foi fantástico.
Após um rápido café, peguei estrada e parei num grifo (posto) em Urubamba, quando acabei encontrando um casal argentino de moto que estava aguardando um outro casal para um passeio. Conversando com eles, me indicaram um caminho para Cusco passando pela Vila de Poroy. Além de ser atalho seria uma estrada boa e o visual fantástico. Confiei neles, ignorei a moça do GPS e foi uma dica de ouro. Uma estrada boa e vazia. Subi uma montanha a mais de 4.000 metros de altitude, de forma bem gradual, com curvas abertas, asfalto perfeito e pouco trânsito. Havia vários mirantes na estrada e valia muito a pena parar em cada um deles.
A paisagem era formada por grandes vales com capim verde amarelado cercado por montanhas muito altas, muitas com neve nos cumes. Um Visual de deixar boquiaberto. O frio e o vento pegavam pesado. Temperatura próximo de zero grau e vento forte, muitas vezes frontal.
Haviam pequenas propriedades rurais, basicamente com gado e ovelhas. Voltei a ver pequenos cemitérios dentro dessas propriedades.
A altitude nessa estrada variava entre 3.800 e 4.300 metros, e o frio era congelante.
Por volta das 14 horas parei pra almoçar em um restaurante à beira da estrada, dentro de uma vila. Foi onde vi um senhor almoçando um prato tradicional da região: Cuay Asado. Para quem não sabe, Cuay é o porquinho da Índia (risos). Muito estranho ver aquele porquinho assado inteiro no prato, mas é o costume deles.
Nas várias vilas que passei, vi muitos fusquinhas, de todas as cores (3 fuscas azuuuuis meu amor). Continuam rodando e resistindo ao tempo em todos os cantos do mundo.
Com a moto sofrendo muito por causa do ar rarefeito, que a fazia funcionar de forma irregular e o forte vento frontal, avancei muito devagar, mas sem pressa. A direção era mais importante. Era curtir o visual e pilotar em modo automático.
Cheguei a Cusco, tirei a tradicional foto na plaza de armas, fiz câmbio de reales brasileños (risos) e fui para a estrada, mas para isso era preciso atravessar a cidade. Em Cusco, nenhum motorista descobriu ainda o dispositivo secreto que todo veículo tem, aquela alavanca secreta que fica próximo ao volante e serve pra dar seta. O trânsito é maluco, os caras mudam de faixa sem avisar, avançam para cruzar as vias sem importar se tem carros vindo, e é tudo na base da buzina. Um buzinaço louco. O trânsito em Cusco é formado principalmente por vans, micro Ônibus e táxis. Vi somente duas motos em todo o trecho urbano. Tem que ter coragem pra andar de moto ali risos.
Após escapar de Cusco novamente, uma estrada com paisagens belas, mas ao passar por Juliaca o pesadelo se repetiu. Trânsito louco, agora com muitos tuc-tucs e um agravante: no centro da cidade as ruas eram de terra e esburacadas. Ao atravessar um trilho de trem no meio dessa confusão eu não cai por muito pouco. Mas superei e completei os 40 km finais para chegar a Puno.
Puno está às margens do lago Titicaca, e é ponto de partida para se conhecer os povos Uros, conhecidos como o Povo Flutuante do Lago Titicaca.
Foi um dia cansativo, pelo frio e pelo stress do trânsito nas cidades de Cusco e Juliaca, mas a missão de chegar a Puno foi cumprida, com direito a paisagens fantásticas. É claro que valeu demais. Obrigado Meu Deus.
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sexta-feira, 15 de maio de 2015
21:28
Unknown
Como bom mineiro, não podia perder o trem, que às 06h10, pontualmente, partiu. Peguei o expedition da PeruRail. Muito confortável, cadeiras em disposição de 4 com mesa ao centro, janelas amplas e janelas panorâmicas no teto, serviço de bordo com um lanchinho e decoração das paredes do vagão com motivos incas.
Uma musiquinha peruana, daquelas de flauta bem lenta e o balanço do trem quase fazendo todos os passageiros desmaiarem. Então comecei com um Pearl Jam para degustar as paisagens, combinação perfeita de música e visual.
Os trilhos passavam por túneis escavados na pedra e a lateral onde eu estava a poucos centímetros dos paredões. Vi vários picos nevados e o trem acompanhou por muito tempo o leito de um rio.
Passamos por várias pequenas propriedades rurais, com pouco gado e ovelhas e algumas pequenas plantações de milho. Vi também uns dois ou três cemitérios pequenos perto dessas propriedades, enfeitados com muitas flores. Parece que sepultam seus mortos dentro do próprio terreno. Em certo momento, aumentou a velocidade e o trem pulava como um carro numa estrada de terra, a galera gostou da adrenalina.
Os passageiros no meu vagão eram 50% estudantes americanos, o resto misturado, algumas senhoras brasileiras muito animadas e, na minha mesa, duas senhoras americanas, estilo o filme vovozona, extremamente engraçadas.
A chegada na estação de trem de Machu Picchu impressiona, pela quantidade de comércios, restaurantes e alguns hostals. Comprado o ticket para o vale sagrado dos incas (128 soles), existem duas opções para se chegar ao parque: de micro ônibus ou então caminhando pela montanha. Optei pela caminhada, por causa do visual e também porque meu trem de volta seria apenas às 21 horas.
Você começa a caminhada por uma estrada de terra que acompanha um grande rio com corredeiras. Após uma ponte de madeira fica a entrada para o vale sagrado e início verdadeiro da caminhada de 1200 metros subindo a montanha, com escadas de pedra por dentro da mata. Um caminhador com preparo consegue fazer o percurso entre 45 minutos e uma hora.
Durante a subida você passa ao lado de pequenas quedas d'água, existem alguns pontos de descanso e o visual é insuperável.
Lá pelo meio da caminhada, apareceu um cãozinho que passou a me acompanhar. Eu gostei, pois comecei a conversar com ele (em espanhol, claro), e ele sempre ao lado, me dando forças rs. Mas após um tempo passou um grupo de americanos caminhando de volta e ele resolveu descer com eles.
Na subida da montanha, mesmo com temperatura por volta dos 9 graus, estava suando tanto que tirei as blusas, ficando só com a camisa. Foi um alívio. Ultrapassei muitos caminhando e muitos me ultrapassaram, cada qual no seu ritmo, mas a cada parada pra descansar ficar ali olhando o visual, escutando as quedas d'águas, os pássaros foi revigorante.
Para quem vier e não se sentir preparado para uma caminhada bem pesada como essa, pode optar por subir de ônibus e descer caminhando pela montanha, mas quem estiver viajando no modo conforto, o melhor é ida e volta de ônibus mesmo.
Numa das paradas da subida, havia uma cabana e alguns adesivos, dentre os adesivos um de um casal argentino/francesa que deram a volta ao mundo numa Kombi, inclusive ela engravidou e teve a filhinha durante a viagem, isso foi veiculado pela Vollswagen Brasil no encerramento da produção da kombi, como uma das histórias com a kombi. Uma pena que os adesivos Sucuris ficaram na bagagem no hostal.
Aproveitei uma das paradas para encher as garrafinhas de água vazias numa queda d'áqua, com certeza mais limpa que muita água mineral que se vende no Brasil. E a água já vinha gelada.
Finalmente cheguei ao topo após 51 minutos de caminhada. Lembrei da equipe caniana do meu amigo rafa. Logo na entrada, encontrei uns brasileiros, o Cleber e a Gabriela de BH. Foi legal porque eles contribuíram muito com minhas fotos.
Machu Picchu é um local mágico, místico, não há palavras ou fotos pra descrever. Você tem que vir aqui, ver com seus próprios olhos e sentir o lugar. Turistas do mundo inteiro perambulando pelas escadas de pedra, muitos guias com grupos contando a história da civilização inca e desse lugar. Para mim, chegar até aqui, durante uma viagem de moto, foi um sonho realizado.
A cidade, estima-se, foi construída em 1450, durante o governo de inka Pachacuti. Era um centro político, religioso e administrativo e um espaço sagrado. A cidade contava cm setores agrícolas, templos, casas, local de cerimonial e um observatório astronômico.
Como foi o meu dia? Eu caminhei pela montanha que leva à cidade Inca de Machu Picchu, andei por aquelas ruínas sentindo a energia do lugar e conheci a história desse povo. Sem mais palavras.
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quinta-feira, 14 de maio de 2015
21:13
Unknown
"Munay (Amor); Yankay (trabalho); Yachay (sabedoria). Que aprendamos com os rios, com as montanhas, com as árvores, com os animais. Que aprendamos a ver com os olhos da alma, nos comprometendo com o essencial. Que nossas vidas sejam repletas de abundância, reciprocidade, amor, trabalho e sabedoria." (Pensamento Inca)
Antes de decolar da pequena Urca com destino a Ollantaytambo, dei uma volta a pé pela pequena praça e tirei algumas fotos. Uma vila bem pobre com muitas senhoras de expressão cansada carregando seus filhos tipo em mochilas, ou nas esquinas vendendo frutas e legumes. Havia um movimento para embarque em vans e ônibus, e pela janela os vendedores tentavam convencer seus clientes a comprarem seus produtos.
Após a laguna Huracan, peguei uma estrada que era margeada pelo rio e pela linha de trem que vem de Cusco para Machu Picchu. À beira da estrada e nas margens do rio, a cultura de uma planta com flores roxas. Fui pilotando sem pressa, curtindo o visual ao longo daquela estrada boa. Apesar do sol, a temperatura era de 15º C e a altitude estava próxima aos 3.000 metros.
Passadas algumas vilas, com os tradicionais quebra-molas, comecei a observar pedras e galhos sobre a pista. Mais adiante, em outra vila, a estrada estava fechada com pedras e haviam pessoas sentadas nelas. Depois vim a descobrir que era o dia "del paro", um dia de manifestações, onde fecham as estradas na entradas e saídas de cada vila. Desliguei a moto e fui conversar. No sorriso e diplomacia, expliquei que era brasileiro, que estava viajando de moto por muitos quilômetros e que precisava chegar ao hotel em ollantaytambo para descansar. Após uma espécie de votação, me permitiram passar.
Mas a cada vila ficava mais difícil. Continuei usando a mesma estratégia e, com paciência e muita diplomacia. Numa outra vila, um senhor me pediu uma "contribución" voluntária para passar. Dei 2 soles e retiraram uma pedra por onde passei. Numa outra vila, vim passando devagar e gritaram "estranjero". Nem olhei pra trás.
Cheguei a uma das últimas vilas e havia uma fila de carros parados. De repente todos começaram a manobrar e fazer meia volta. Um dos carros passa por mim e o cara fala: "- vamos por otro camino." Virei a moto e passei a segui-los. Entramos em uma estrada vicinal de terra do outro lado do rio e andamos uns 10 km por ela. Acabamos saindo atrás da estação de trem de Ollantaytambo. Então atravessei com a moto uma ponte de pedestres, toda de madeira e cordas, sobre esse rio e cheguei à cidade... Foi tenso.
Ollantaytambo é ponto de partida e ou passagem obrigatória para quem vai a Machu Picchu. Só existem dois caminhos para a cidade inca, de trem ou trilha a pé com guia autorizado. Acho que são 5 dias de caminhada. De trem são 3 horas. Ollantaytambo é como se fosse a capital mundial dos mochileiros e aventureiros. O movimento de vans trazendo estrangeiros é intenso. Vi muitos americanos, ingleses, canadenses e franceses chegando em excursões.
A cidade de Ollantaytambo era uma cidade fortaleza para proteger o vale sagrado dos incas, com um complexo militar e religioso. Chama a atenção o templo del sol e os solos para guarda de alimentos construídos pelos incas nas montanhas (fotos).
O resto do dia de hoje e amanhã, a Capitão América ficará descansando nos jardins do hostal. Vou pegar um trem para Machu Picchu, a cidade sagrada dos Incas.
Fui dar uma volta pela cidade. Estava acontecendo uma festa religiosa e houve uma queima de fogos. Passei pela feira de artesanato e comi um delicioso "lomo a la moda". Fui dormir cedo, pois terei que chegar à estação amanhã às 05h40. O trem partirá às 06h10. Estou em um hostal a 200 metros da estação.
Que Deus continue nos protegendo. Obrigado a todos os amigos que me enviam mensagens de apoio e sucesso nessa aventura.
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