10.500 Km pela América do sul em 25 dias em uma moto com 25 anos de uso
O sonho de rodar pela América do Sul, de cruzar a Cordilheira dos Andes de moto, de conhecer o salar de Uyuni (o deserto de sal a 3600m de altitude na Bolívia), o lago Titicaca, Machu Picchu no Peru.
Meu Teste Drive: Harley Davidson Fat Boy... Hasta la vista Baby!!!
Tive o prazer de desfrutar de um final de semana com uma Fat Boy na garagem... não há como não associar essa motocicleta ao filme Exterminador do Futuro 2 (Terminator 2 ) onde o Arnold Schwarzenegger pilota essa moto em cenas fantásticas
Cerol... A brincadeira mortal!
Incredulidade... talvez seja essa a melhor palavra para definir o que sentimos com as notícias veiculadas que a cada dia, temos mais e mais motociclistas vítimas do cerol em nossas cidades
domingo, 24 de maio de 2015
21:52
Unknown
Acordei no pior hotel de Jujuy e dei um jeito de sair logo dali. Não havia desayuno e, como era domingo, não encontrei muita coisa aberta na cidade. Por sorte, achei próximo uma espécie de sacolão, onde comprei umas frutas que deram um ótimo café da manhã.
San salvador de Jujuy fica numa altitude de 1.300m e agora eu partiria para uma região mais baixa ainda, o Chaco, uma região que fica abaixo dos 100m de altitude. A ideia era rodar até Pampa del Infierno, um local descrito pelos aventureiros como muito quente e com longas retas.
O frio, que era meu companheiro há vários dias, deu lugar à chuva, às vezes forte, às vezes fraca, às vezes acompanhada por neblina. A temperatura estava agradável, nem calor nem frio.
Durante uma parada em um posto YPF, tive que mexer mais uma vez na regulagem do pedal de câmbio, que não dava mais aperto e bambeou de um jeito que eu não conseguia passar as marchar para cima. Não entrava da segunda marcha pra cima. Perdi um tempo para retirá-lo e posicioná-lo mais baixo, onde, mesmo sem aperto, conseguiria passar as marchas.
A pista simples começou boa. Mas em uma parada para abastecimento em outro posto, onde todas as janelas eram cobertas por adesivos de aventureiros e motoclubes, fui alertado por caminhoneiros argentinos que encontraria à frente uma estrada sem sinalização, muitos remendos e trechos em obra com rípio (cascalho) e muitas costelas de vaca.
Antes do trecho ruim da estrada, uma Mercedes SLK 250 conversível, placa Argentina MAC140, me passou em alta velocidade. Mas quando chegamos ao trecho ruim e com suas rodas aro 20/21, ela passou a andar a 10 km/h. A Capitão América passou pelo trecho ruim a uns 70/80 km/h, navegando sobre os remendos. Ultrapassei e não vi mais essa Mercedes, hahha.
A noite chegou quando eu estava a cerca de 180 km do meu destino. E com a noite, muitos animais soltos à beira da pista. Com isso, cheguei à cidade de Monte Quemado - Argentina e resolvi parar na cidade e procurar um lugar para pernoitar. Fiquei em um hotel simples, sem desayuno. Serviu somente para passar a noite.
Todos os dias da aventura foram descritas em um diário que pode ser visto nos links abaixo:
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sábado, 23 de maio de 2015
21:44
Unknown
A idéia era partir bem cedo da cidade de Tupiza rumo a San Salvador de Jujui (se pronuncia rurui). Estava preocupado com os trâmites de imigração e aduana, principalmente a saída da Bolívia e posteriormente de entrada na Argentina, na cidade de La Quiaca. Quando saí do centro de Tupiza e cheguei à carretera, ela estava fechada pela polícia local, pois estava para começar uma prova ciclística de velocidade, que duraria aproximadamente uma hora e não havia nenhum outro caminho alternativo para sair da cidade. O jeito foi esperar.
Havia um posto de gasolina bem na esquina do bloqueio. Parei a capitão América no posto, abasteci e como havia ainda muito tempo, aproveitei para uma pequena revisão: regulagem da corrente; conferência do nível de óleo; conferência dos cabos de comando; pressão dos pneus; ajuste do pedal de câmbio, que vinha me chateando; e reaperto geral.
Foi aí que surgiu um novo amigo, que foi meu companheiro no trecho Tupiza -> San Salvador de JuJuy, o Sigurd, da Noruega. Apareceu no posto me pedindo azeite (óleo) para lubrificar a corrente da moto dele. Emprestei o óleo e quando ele veio e estacionou a moto ao lado da capitão América, vi que o cara estava preparado para rodar muito. Estava com uma Kawasaki KLR 650 ano 2003 com placa dos EUA e com uns 50kg de bagagem, incluindo barraca e pneu reserva.
Ele me falou que veio da Noruega para os EUA, comprou a moto na Guatemala, percorreu toda a América Central até o Panamá, onde atravessou da Darian Gap em um navio até a Colômbia. Depois passou pelo equador, Peru, Bolívia e terminaria a viagem em Buenos Aires, vendendo a moto e retornando para casa. Vimos que teríamos o mesmo itinerário até JuJuy e combinamos de esperar a liberação da Ruta e tocarmos juntos.
Finalmente, um policial nos deu sinal que liberariam a pista. Posicionamos à frente da fila de carros, que também esperava. Um policial de moto pediu que ficássemos atrás dele, pois iria de batedor para garantir que a pista estava livre.
Partimos impacientes atrás do policial de moto, ele andando a 30/40 km/h e mais impacientes estavam os carros atrás da gente, principalmente uma caminhonete que seguia ao nosso lado, na pista da esquerda, exatamente atrás da moto do policial.
Em certo momento o policial aumentou a velocidade para uns 80 km/h. Pensei: "- beleza, vai nos liberar pra seguir sem ele". Mas parece que o radio de comunicação que ele levava à cintura chamou e ele reduziu a velocidade de uma vez. O cara da caminhonete, que seguia impaciente, estava bem colado na moto e nem freou, bateu na moto e, quando olhei pelo retrovisor, vi a moto sendo arrastada pelo parachoque dianteiro da camionete e o policial boliviano rolando no asfalto na frente. Eu havia tirado uma foto segundos antes desse acidente, que mostra o policial de moto à nossa frente. Pensamos em parar, mas não havia o que fazer. Alguns carros pararam para ajudar e com certeza o cara da caminhonete teria problemas sérios ali. Fiz sinal para o Sigurd e tocamos em frente.
Com a estrada livre e pista boa, andávamos muito bem. O norueguês, com o tratorzão dele, entrava forte nas curvas e a capitão América ia na cola. Havíamos combinado andar a 100/110 km/h, por isso consegui acompanhá-lo, senão ele me deixaria para trás.
Percorremos uma serrinha e depois grandes vales com vegetação rala e amarelada, sempre circundado pela cordilheira. A paisagem começou a apresentar uns morros e montanhas coloridos, como se fossem coloridos na horizontal, um visual bonito e muito diferente.
Chegamos a La Quiaca. Os trâmites de imigração e aduana bolivianos não levaram nem cinco minutos. Fiquei feliz e pensei: "- Vamos passar rápido hahahaha..." Fomos para a imigração Argentina. Tudo ok, passaportes carimbados. Mas faltava ainda a aduana para a entrada das motos. Ai começou a novela. O oficial da Aduana nos pediu o seguro Carta Verde para as motos, ou então uma prova que a seguradora das motos, no caso de termos seguro delas, tivesse as mesmas coberturas e especificasse a cobertura em território argentino, e foi taxativo: sem seguro, as motos não entram na Argentina. Como não tínhamos nem um nem outro, expliquei que estávamos vindo do Peru/Bolívia e que a ideia era fazer o seguro quando chegássemos à Fronteira. Ele concordou e nos orientou a deixar as motos na aduana e pegar um táxi até o centro onde havia um escritório de seguradora que faria o seguro carta verde.
Pegamos o taxi. Chegamos à seguradora em 5 minutos, mas as portas estavam fechadas. Tocamos na porta ao lado, um senhor nos explicou que fecharam as 14 horas. Eram 14h30 e que reabririam somente na terça-feira. Era sábado, domingo não abririam e na segunda-feira era feriado.
Somente consegui pensar: fudeu. 3 dias "presos" na fronteira. Sem opções, pegamos o taxi de volta para a fronteira. A corrida custou 40 bolivianos. Eu só pensava em alguma forma de convencer o oficial da aduana a nos liberar para fazer o seguro na próxima cidade que parássemos. O Sigurd seguia incrédulo com a situação.
Explicamos a situação, mas o oficial da aduana continuou irredutível. Sem seguro, as motos não entram. Mas se propôs a tentar uma outra solução: primeiro verificou a possibilidade de fazemos algum seguro na Bolívia que valesse para a Argentina, mas isso somente seria possível em Potosí ou Sucre, com retorno de centenas de quilômetros, sem garantia de que conseguiríamos achar um escritório aberto.
Veio a outra solução, um outro escritório de seguradora, onde a dona do escritório residia no mesmo local do escritório. O oficial foi taxativo, insistam para conseguirem, senão as motos não entram. Mais um táxi pra cidade. Chegamos no lugar indicado, batemos à porta e uma senhora apareceu. Pensei: ufa vamos conseguir hahaha... A senhora abriu "meia-porta", explicamos a situação, ela friamente respondeu que não fazia seguro de motos. Detalhamos melhor nossa situação, eu pensei em pedir de joelhos, mas a senhora, a cada negativa, fechava um pouco mais a porta kkk...
Pedimos para fazer um seguro de carro com os dados da moto, mas ela negou e o pouco de porta que restava aberta foi fechado Na nossa cara.
Voltamos ao primeiro escritório, meio que no desespero, tocamos numa casa vizinha, um senhor atendeu e após ouvir nossas explicações, nos deu o "não" final. Explicou que a pessoa responsável pelo seguro já havia ido embora e mesmo que ela estivesse não conseguiríamos, pois a emissão dependia de autorização do escritório central em Buenos Aires, e que lá as atividades já estavam encerradas também.
Taxi de volta para a fronteira, o Sigurd me perguntou se eu tinha alguma ideia. Eu comecei a pensar nos amigos (Halfa, Kiko Santos, Boca, Felipao, Genildao, Fred, Thiago, Juliano, Elisio, Ranieri, Cabral, Marcelo Kawasaki etc), que poderiam tentar fazer no Brasil o seguro carta verde e enviar via fax para a fronteira. Precisava de uma conexão wi-fi e sorte para que no Brasil, sábado, às 16 horas, ainda conseguíssemos fazer. Também pensei no Dr. Cantinho, pois poderíamos tentar entrar na marra e se a Polícia Federal Argentina nos prendesse, o advogado dos Sucuris teria que vir para a Argentina pra nos soltar hahahaha.
Voltamos à fronteira. Guardei minha última cartada na manga. Explicamos a situação para o oficial, que queríamos fazer o seguro, mas não havia como fazer ali e que não podíamos ficar três dias parados naquele lugar. Ele pediu para esperarmos e entrou num local restrito da aduana.
Enquanto esperávamos percebi que uma senhora da aduana estava sensibilizada com nossa situação. Fui conversar com ela e perguntei se não poderia nos ajudar, interceder de alguma forma. Ela pediu para esperamos. Nossa sorte estava em jogo. Ela saiu do local restrito e nos pediu para segui-la. O coordenador da aduana havia nos liberado para seguir viagem até um Local onde poderíamos fazer o seguro. Ufaaa.
Liberados. Ainda retornamos à pé até a Bolívia para fazer Câmbio e entramos na Argentina, após longas três horas na fronteira. Ainda perdemos uma hora devido à diferença de fuso entre a Bolívia e a Argentina. O fuso horário na Argentina é igual ao do Brasil.
Algumas considerações
1) o Seguro carta verde é contratado por quantidade de dias. É normal deixar para fazer na fronteira, quando se está numa viagem longa e não há certeza sobre que dia entrará ou sairá do país (no caso Argentina). Foi o procedimento que adotei no Peru com o seguro SOAT.
2) se não houvesse o bloqueio da saída da cidade de Tupiza para a prova ciclística por uma hora, teríamos chegado a tempo a La Quiaca para fazermos o seguro. O escritório fechou as 14 horas e chegamos na porta às 14h30.
Paramos no primeiro posto para abastecer. Bandeira YPF, nafta (gasolina) com 97 octanas por 14 pesos o litro e 85 octanas por 13 pesos argentinos o litro. Us$ 1,00 = 13 pesos argentinos.
Partimos abastecidos por uma boa estrada, mas com muito trânsito, principalmente carros particulares. Passamos por vários bloqueios polícias, que normalmente acontecem nas entradas ou saídas das cidades. Em dois deles nos pararam, mas quando viram que éramos estrangeiros, nos mandaram prosseguir. No último, o policial, ao ver a placa brasileira e a cidade Belo Horizonte me perguntou: és crussero? Respondi: Nooo, sou Atlético Mineiro. Ele respondeu: Soy River. Pase. Só pensei ufaaaa hahahaha.
Em certo momento, pegamos um vento frontal muito forte que reduziu a velocidade em uns 10 a 15km/h. Quando vinha de lado, nos Obrigava a inclinar a moto nas retas para vencer a resistência. E assim, brigando com o vento, a noite chegou e também a cidade de San Salvador de JuJuy urruuuullll.
Novo abastecimento dentro da cidade e indicação de um local para comer algo, o Sigurd entrou na cidade para também fazer um lanche e depois seguiria para a cidade de Salta. Eu dormiria em JuJuy.
Chegamos à porta do restaurante La Candelária, que só abriria mais tarde, às 21 horas. Resolvermos ir a outro. Quando o Sigurd foi montar na sua moto, ela tombou. Juntamos nós dois para levantá-la. Deus do Céu, aquela moto parecia pesar uma tonelada com toda aquela bagagem.
Comemoramos a entrada na Argentina com água e empanadas.
Após o lanche, meu amigo norueguês partiu rumo a Salta e eu fui procurar um hotel. O cansaço havia me feito escolher possivelmente um dos piores hotéis da cidadezinha de JuJuy e o pior de toda minha viagem, com um quarto minúsculo cheirando a mofo. O jeito foi tentar dormir com as janelas abertas.
Que dia. No final tudo certo. Deus está no comando.
Todos os dias da aventura foram descritas em um diário que pode ser visto nos links abaixo:
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sexta-feira, 22 de maio de 2015
21:28
Unknown
Antes de partir de Uyuni, resolvi lavar a moto para retirar o sal do deserto. Aproveitei para fazer câmbio de bolivianos e comprar umas barras de cereais para a estrada. Dei um volta pela cidade fora do circuito turístico, fui ao mercado municipal e andei por ruas secundárias. Mesmo com todo o movimento do turismo, ainda existe muita pobreza na cidade.
Com toda propaganda sobre o Rali Dakar, chegar aqui pilotando uma motocicleta trail ou big-trail é um bom cartão de apresentação. As pessoas ficam olhando curiosas e vêm conversar, perguntar de onde você vem e sobre a moto. Te recebem muito bem.
Em toda a Bolívia, vi lindas paisagens e passei por muitas vilas e pequenas cidades. Quando se chega a uma cidade, a impressão é de pobreza, mas vi que em muitas haviam boas escolas, algumas novas, com boa estrutura e, mesmo nas vilas mais pobres, vi crianças com uniformes novos indo ou voltando das aulas. Fica claro um investimento em educação básica. Também vi bons postos de saúde municipais. Todas as estradas que passei estavam em boas condições e algumas estão em construção. Parece que a aposta da Bolívia é na educação, saúde e estradas, até para potencializar o turismo.
Com o rolé de adeus de Uyuni, acabei saindo tarde da cidade, por volta do meio dia, mas a estrada de volta a Potosí era conhecida. Vim num bom ritmo, curtindo as curvas e tomando cuidado para não pegar uma lhama na contra-mão.
Cerca de 70 km depois de Uyuni, encontrei um casal da Austrália em um mirador (mirante). Estavam em uma BMW GS 1200 e uma Honda XR250 Tornado, ambas com placas do Chile. Em um papo que misturou inglês e espanhol, me contaram que vieram da Austrália até o Chile, alugaram as motos e estavam a caminho do Salar. Passei algumas dicas e depois me despedi.
Abasteci em Potosí, onde a frentista, ao perceber que eu era do Brasil, me falou que era fã da banda Calipso. Falei que a banda é muito boa, que eu também gosto dela e das bandas Metallica e Iron Maiden, mas acho que ela não entendeu a piada kkk
Após Potosí, segui para Tupiza. A paisagem é muito árida, com grandes cactos e vegetação baixa e espaçada nas montanhas. Uma estrada boa, mas pista simples, com pouco tráfego, que permitiu desenvolver bem a viagem. A altitude variava entre 2500 e 3200 metros. O frio deu uma trégua e somente apareceu nos 70 km finais.
Uma coisa que mudou foram os animais à beira da pista. Ao invés de lhamas, agora eram cabras e bodes, que atravessavam a pista a toda hora. Interessante que as placas de sinalização que mostravam lhamas também mudaram para algo parecido com um bode (risos).
Como saí tarde e não queria pilotar à noite. Não parei para fotos, somente para abastecimento.
Um pouco antes de Tupiza, dei uma parada em um posto para tomar água e comer uma barra de cereais. Meu Deus, a barra de cereais parecia de pedra, Mas com fome, comia qualquer coisa.
Cheguei a Tupiza quase noite e consegui um hotel simples, mas muito bom. Amanhã tem muito mais estrada.
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quinta-feira, 21 de maio de 2015
22:15
Unknown
Acordei tranquilo, sem despertador, para um dia que seria de muita aventura e de realização de um sonho: andar de moto pelo maior deserto de sal do mundo, o Salar de Uyuni, que fica a 3.600m de altitude na Bolívia.
Depois de um ótimo café da manhã, sai para abastecer a moto no único posto do lugar. Estava abastecendo, o frentista já tinha me informado o valor da gasolina para estrangeiro, quando surgiu do nada um policial para conferir se estavam cobrando o valor correto. Imagino que deve existir um policial militar boliviano com essa função. E no Brasil, quem vigia a adulteração de combustíveis ou a adição de álcool na gasolina além dos 27% oficiais?
O Salar de Uyuni fica a 30 minutos da cidade e não é fácil chegar lá. Tem que ser veículo 4x4 ou moto trail. Sofri com a Capitão América, por ela ser uma moto pesada e não estar com pneus específicos para terra. Tinha muita areia fofa e costelas de vaca pelo caminho.
Pilotando bem Devagar, cheguei ao povoado de Colchani, porta de entrada do Salar, onde haviam muitos jipes parados com turistas do mundo inteiro, uns partindo outros chegando. Nas pequenas vendas do lugar se vendiam desde água a lembranças do Salar.
Entrei no Salar e acelerei de maneira inacreditável, seguindo os trilhos dos jipes. O solo estava compactado e eu conseguia andar a 110/120 km/h com tranquilidade, melhor que muito asfalto que já passei.
Cheguei onde queria em pouco tempo. Um dos objetivos dessa viagem, a foto no monumento do Dakar em pleno deserto de Sal... Urruuu!!!
Muitas fotos no monumento e também na praça das bandeiras, onde os viajantes que passaram por ali deixaram as bandeiras de seus países. Deixei a marca dos Sucuris na casa de apoio ao lado da praça das bandeiras.
Depois rodei um pouco mais, uns 40 km para dentro do deserto. Não fui mais longe porque é fácil se perder. Os jipeiros deixam marcas pelo caminho. o GPS não conseguia apontar meu caminho de volta, mesmo tendo marcado as coordenadas no povoado Colchani. Por isso não fui muito longe.
Posso dizer que foi uma experiência fantástica, quase inacreditável estar ali, acelerando uma moto em pleno deserto de sal. Com certeza um grande sonho realizado, graças a Deus.
As fotos falam por tudo que vi, mas é um lugar que não há fotos e videos que consigam transmitir o que é estar lá. Você tem que vir, escutar o silêncio absoluto e até assustador quando se pára no meio do deserto e desliga-se o motor. O branco do sal, que te exige óculos escuros. Foi uma experiência fantástica.
Como foi meu dia? Pilotei pelo maior deserto de sal do mundo.
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quarta-feira, 20 de maio de 2015
22:05
Unknown
Quando acordei a temperatura em Potosí estava em 2 graus. Mesmo com aquecedor no quarto isso é frio pra caramba (risos). Tomei um bom café, fiz checkout e montei a bagagem na moto. Decidi fazer um ajuste na posição do pedal de câmbio da moto, e isso levou aproximadamente uma hora, por causa da dificuldade em retirar o pedal para reposiciona-lo.
GPS apontado para Uyuni, parti. Logo na saída comecei a estranhar que a distância indicada era maior do que eu havia pesquisado. Tive uma grande dificuldade para sair de dentro da cidade, por causa da grande quantidade de carros e ruas apertadas. Na saída da cidade, parei na estación de serviçio (posto de gasolina) e resolvi confirmar se era a estrada para Uyuni. O cara apontou para uma montanha do outro lado da cidade e me disse: "-você tem que passar por ali." Voltei pra dentro da cidade enfrentando agora o rush do horário do almoço. Não existe sinalização dentro das cidades bolivianas apontando para as saídas. Até mesmo na estrada é raro ver indicações de cidades e distâncias.
Finalmente peguei a estrada correta. Mais tarde descobri que o mapa da Bolívia, que estou usando no GPS, não tinha a estrada para Uyuni, que foi asfaltada nos últimos 2 anos e traçava uma rota por outras estradas com pelo menos 250 km a mais.
Sobre o GPS, estou com um modelo Garmin de última geração, de automóvel, adaptado para uso na moto, tinha um outro Garmin modelo Zumo, específico para moto, que não resistiu a uma chuva dias antes de iniciar a viagem. Esse modelo Garmin que estou utilizando já vem com o mapa da América do Sul/Central e Flórida atualizado 2015, exceto a Bolívia. Qual seria o motivo para a Garmin não ter o mapa da Bolívia? Só perguntado para o Evo Morales mesmo (risos). Para contornar a situação, baixei um mapa da Bolívia do projeto tracksource e instalei no GPS, mas tem limitações e muitos erros.
A estrada de Potosi a Uyuni é boa, bom asfalto e pouquíssimo trânsito. Eu e a capitão América contornamos belas curvas naquela estrada. O frio era assustador. Se na cidade faziam 2 graus, imagina na estrada. Um vento forte me acompanhou também por um bom tempo. É comum ventos com velocidades superiores a 90 km por hora nessa região da Cordilheira dos Andes. A altitude média era entre 3700m a 4200m. A paisagem era desértica, com muitos cactos, vegetação baixa e rasteira. Em um lugar chamado serra de pelva, havia uma vegetação parecendo um Musgo que tomava conta do pequeno vale e das montanhas. De longe parecia que era aveludado e as montanhas davam a impressão de serem almofadas de um sofá (risos).
As lhamas foram minhas companheiras nesse trecho da viagem. Centenas, milhares delas espalhadas por todos os lados. Atravessam a estrada calmamente quando bem entendem e uma delas veio correndo pela pista contrária, na curva onde eu vinha resolveu mudar para a contra-mão. Foi um belo susto.
Na chegada a Uyuni, você desce uma serra e se depara com a vista de um vale que se perde no horizonte e com a visão do deserto de sal ao longe. Parece aqueles filmes de ficção, onde uma nave está pousando em um outro planeta. É uma visão fantástica, não sei se as fotos vão conseguir mostrar isso.
Chegando na cidade de Uyuni, que tem ares de cidade do velho oeste (risos), você fica impressionado com a quantidade de veículos 4x4 pelas ruas, jipes e caminhonetes, na maioria de agencia de turismo que têm pacotes para o Salar. Os hotéis estão cheios de gringos de todos os cantos do mundo, aventureiros em busca do Salar e Lagunas da região.
No centro de Uyuni tem um monumento do Rali Dakar, que teve uma etapa aqui em 2014.
O Salar de Uyuni é o maior deserto de sal do mundo. Tem 10.582 km quadrados de extensão (extensão maior que do lago Titicaca, por exemplo). 80% da reserva de lítio mundial está nele. Em tempos pré-históricos, era parte de um grande lago que secou e deixou o rastro gigantesco de sal.
Ao chegar a Uyuni, passei no cemitério de trens, máquinas e vagões abandonados no tempo há muitos anos e que viraram uma espécie de atração turística. Eram utilizadas para escoar a produção de minerais bolivianos, principalmente estanho, ouro e prata, para o porto de Antofagasta (1892-1940).
Conheci o hotel de sal, construído com blocos de sal. Muito Legal.
Amanhã será o dia para explorar o Salar de Uyuni.
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